Quando a dor aparecer de repente na sua vida - Projeto Nascente Desenvolvimento Emocional - Centro de terapias e Treinamentos em PNL

Tem momentos difíceis que aparecem em nossas vidas, nos pegam de surpresa, causam dor e nos tira o chão. Nestes momentos precisamos ter fé, acreditar e ter força para seguir em frente. A vida é um ritmo constante de altos e baixos e nossa compreensão ainda é muito pequena sobre ela. Queremos que seja do nosso jeito, mas a vida tem o jeito dela de ser que não podemos controlar, mas sim aprender a cada dia. Se você está passando por um momento difícil em sua vida, aprenda a olhar com outros olhos a situação, confiando e entregando a solução à vida. Neste conto do poeta Persa do século XII – Farid Ud Din Attar (Histórias da Terra dos Sufis) tem uma linda mensagem para você!

“Um derviche, depois de uma árdua e longa viagem através do deserto, chegou por fim à civilização. O povoado se chamava Colinas Arenosas e era quente e seco. Não havia muito verde, exceto feno para o gado e alguns arbustos. As vacas eram o principal meio de vida das pessoas de Colinas Arenosas. O derviche perguntou educadamente a alguém que passava se havia algum lugar onde poderia encontrar comida e abrigo para aquela noite.

– Bem, disse o homem coçando a cabeça – não temos um lugar assim no povoado, mas estou certo de que Shakir ficará encantado de lhe brindar com sua hospitalidade esta noite.

Então o homem indicou o caminho da fazenda de propriedade de Shakir, cujo nome significa “o que agradece constantemente ao Senhor”.
No caminho até a fazenda, o derviche parou perto de um pequeno grupo de anciões que estavam fumando cachimbo e eles confirmaram a direção. Eles disseram que Shakir era o homem mais rico da região. Um dos homens disse que Shakir era dono de mais de mil vacas.

– E isso é maior do que a riqueza de Haddad, que vive no povoado ao lado.

Pouco tempo depois o derviche estava parado em frente à casa de Shakir a admirando. Shakir, que era uma pessoa muito hospitaleira e amável, insistiu para que o derviche ficasse por alguns dias em sua casa. A mulher e as filhas de Shakir eram igualmente amáveis e deram o melhor para o derviche. Inclusive, ao final de sua estadia, lhe deram uma grande quantidade de comida e água para sua viagem.

No seu caminho de volta para o deserto, o derviche não conseguia parar de se perguntar o significado das últimas palavras de Shakir.
No momento da despedida o derviche havia dito:

– Dê Graças a Deus pela riqueza que tens.

– Derviche – respondeu Shakir – não se engane pelas aparências, porque isto também passará.

Durante o tempo em que havia passado no caminho Sufi, o derviche havia compreendido que qualquer coisa que ouvisse ou visse durante sua viagem lhe oferecia uma lição para aprender, e portanto, valia a pena considerá-la. Além de tudo, essa era a razão pela qual havia feito a viagem, para aprender mais. As palavras de Shakir ocuparam seus pensamentos e ele não estava seguro de ter compreendido completamente o seu significado.

Quando estava sentado sob a sombra de um arbusto para rezar e meditar, recordou do ensinamento Sufi sobre guardar silencio e não se precipitar em tirar conclusões para finalmente alcançar a resposta. Quando chegasse o momento, compreenderia, já que havia sido ensinado a permanecer em silêncio e sem fazer perguntas. Para tanto, fechou a porta dos seus pensamentos e submergiu sua alma em um estado de profunda meditação.

E assim se passaram mais cinco anos, viajando por diferentes terras, conhecendo pessoas novas e aprendendo com suas experiências no caminho. Cada nova aventura oferecia uma lição a ser aprendida. Entretanto, como requeria o costume Sufi, permanecia em silêncio, concentrado nas ordens do seu coração.

Um dia, o derviche voltou a Colinas Arenosas, o mesmo povoado onde havia passado alguns anos antes. Se lembrou de seu amigo Shakir e perguntou por ele.

– Está vivendo no povoado ao lado, a dez milhas daqui. Agora trabalha para Haddad – respondeu um homem do povoado.

O derviche lembrou surpreendido que Haddad era o outro homem rico da região. Contente com a ideia de voltar a ver Shakir outra vez, se apressou para ir ao povoado vizinho. Na maravilhosa casa de Haddad, o derviche foi bem recebido por Shakir, que agora parecia muito mais velho e estava vestido em andrajos.

– O que lhe aconteceu? – quis saber o derviche.

Shakir respondeu que uma enchente três anos antes o havia deixado sem vacas e sem casa; assim ele e sua família se tornaram empregados de Haddad, que sobreviveu à enchente e agora desfrutava da posição de homem mais rico da região. Entretanto, esta alteração na sorte não havia mudado o caráter amistoso e atencioso de Shakir e de sua família. Cuidaram amavelmente do derviche na sua cabana durante os dois dias e lhe deram comida e água antes dele sair.

Na despedida, o derviche disse:

– Sinto muito pelo que aconteceu com você e sua família. Mas sei é que Deus tem um motivo para aquilo que faz.
– Mas não se esqueça, isto também passará.

A voz de Shakir ressoou como um eco nos ouvidos do derviche. O rosto sorridente do homem e seu espírito tranqüilo não abandonavam seu pensamento.

– O que ele quer dizer com esta frase desta vez?

O derviche sabia agora que as últimas palavras de Shakir na sua visita anterior se anteciparam às mudanças que ocorrerem. Mas dessa vez, se perguntava o que poderia justificar um comentário tão otimista. Assim deixou a frase de lado outra vez, preferindo esperar pela resposta.
Passaram meses e anos, e o derviche, que estava ficando velho, continuou viajando sem nenhuma intenção de parar.

Curiosamente, suas viagens sempre o levavam de volta ao povoado onde vivia Shakir. Assim sendo, demorou sete anos para voltar a Colinas Arenosas e Shakir estava rico outra vez. Agora vivia na casa principal da propriedade de Haddad e não na pequena cabana.

– Haddad morreu há dois anos – explicou Shakir – e, como não tinha herdeiro, decidiu deixar sua fortuna para mim como recompensa dos meus leais serviços.

Quando estava terminando sua visita, o derviche se preparou para a viagem mais importante de sua vida: cruzaria a Arábia Saudita para fazer sua peregrinação a pé até Meca, uma antiga tradição entre seus companheiros. A despedida de seu amigo não foi diferente das outras vezes. Shakir repetiu sua frase favorita:

– Isto também passará.

Depois da peregrinação, o derviche viajou à Índia. Ao voltar a sua terra natal, Pérsia, decidiu visitar Shakir mais uma vez para ver o que havia acontecido com ele. Assim, mais uma vez se pos em marcha para Colinas Arenosas. Mas em vez de encontrar seu amigo Shakir, lhe mostraram uma humilde tumba com a inscrição “Isto também passará”. O derviche ficou ainda mais surpreendido do que das outras vezes, quando o próprio Shakir havia pronunciado estas palavras.

– As riquezas vem e as riquezas se vão – pensou o derviche – mas, como pode trocar um túmulo?

A partir de então o derviche adquiriu o costume de visitar a tumba de seu amigo de tantos anos e passava algumas horas meditando na morada de Shakir. Entretanto, em uma de suas visitas o cemitério e a tumba haviam desaparecido, arrasados por uma enchente.

Agora, o velho derviche havia perdido o único vestígio deixado por um homem que havia marcado tão excepcionalmente as experiências de sua vida. O derviche permaneceu durante horas nas ruínas do cemitério, olhando o chão fixamente. Finalmente, levantou a cabeça em direção ao céu e então, como se houvesse descoberto um significado mais elevado, abaixou a cabeça em sinal de confirmação e disse:

– Isto também passará.

Finalmente o derviche ficou muito velho para viajar, decidindo se fixar e viver tranqüilo e em paz pelo resto de sua vida.

Os anos se passaram e o ancião se dedicava a ajudar a quem se acercava dele para os quais aconselhava e a compartilhar suas experiências com os jovens. Vinha gente de todas as partes para beneficiar-se de sua sabedoria. Finalmente, sua fama chegou até o grade conselheiro do rei, que casualmente estava buscando alguém com grande sabedoria.

O fato era que o rei desejava que lhe fizessem um anel. O anel teria de ser especial: devia ter uma inscrição de tal forma que quando o rei se sentisse triste, olhasse o anel e ficaria contente e se estivesse feliz, ao olhar o anel se entristeceria.

Os melhores joalheiros foram contratados e muitos homens e mulheres se apresentaram para dar sugestões sobre o anel, mas o rei não gostava de nenhuma. Então o conselheiro escreveu para o derviche explicando a situação, pedindo ajuda e o convidando para ir ao palácio. Sem abandonar sua casa, o derviche enviou sua resposta.

Poucos dias mais tarde, um anel foi feito com uma esmeralda e foi entregue ao rei.

O rei, que havia estado deprimido por vários dias, mal o recebeu, botou o anel no dedo e olhando-o, deu um suspiro de decepção.
Logo começou a sorrir e, pouco depois, ria às gargalhadas.
No anel que usava estavam escritas as palavras “Isto também passará””.

 

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